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O NOVO MUNDO DAS PRANCHAS !!
Nesta edição o shaper brasileiro Henry Lelot faz uma
análise completa do que está rolando no mundo das pranchas, e mostra o que
estão usando os melhores surfistas do mundo, e as principais tendências
em designs, medidas e novos materiais.
TAMANHO MENOR
Em termos
gerais, constatei uma tendência na diminuição
do tamanho das pranchas, que estão cerca de 1 polegada menores. Por exemplo: Andy Irons
(1,80m x 77kg), que usava direto o tamanho 6´2, veio ao Brasil
no ano passado com uma 6´1 ½ do Chilli, e este ano
trouxe uma JS 6´1, encomendando comigo uma 6´1 modelo
HYPER com rabeta ROUND SQUASH, medindo 18 5/8 x 2 ¼ que são
as medidas básicas de sua preferência. Inclusive quando
Andy voltava de sua primeira bateria, e me viu com sua prancha na
mão, perguntou: “ hei, essa é a prancha que
estava ali no chão antes da bateria?”
“Sim” , eu respondi, e ele a pegou com avidez e passou
a avaliá-la com bastante interesse...”Que bloco é esse? A prancha é
de epoxy?”. Respondi que a resina era de EPOXY e o bloco de
poliuretano da marca brasileira TECCEL e pela sua expressão
parecia bastante impressionado com o nível do shape, a qualidade
e o acabamento: “ Hummm, creio que esta vai ser a melhor prancha
que vc já fez para mim...” Assim seja; é extremamente
recompensador ouvir essas palavras de um dos maiores nomes da história
do surfe mundial. Essa ele mandou a Billabong embalar e despachar
direto para o Hawaii... Assim
como ele, Mick Fanning, que também usava 6´0, vem
tendo performances incríveis nos últimos eventos usando
5´11 x 18 x 2 3/16. Por ser um pouco mais leve e menor (70kg),
as pranchas dele são mais finas e estreitas do que as de
Bobby Martinez (1,75m x 76kg) por exemplo, que prefere o tamanho
6´0 x 18 3/8 x 2 5/16. Esta ano fiz uma HYPER 6´0 rabeta
Round-round, medindo 18 ¼ x 2 ¼ para o Slater, mas
como ele não veio, passei para o Chris Ward (1, 74m x 75kg)
que tem quase o mesmo tipo físico do seu compatriota.
Já o Taj Burrow (1,65m x 65kg), muito simpático,
lembrou daquela final do WCT aqui no Rio de Janeiro, que o OCCY
fez contra Kelly Slater em 97 com uma prancha minha e agradeceu
o presente: sempre quis fazer uma prancha para ele... então
caprichei usando o método CDS combinado com o DSD Surfcad,
para fazer uma WAVE KILLER 5´9 round squash medindo 18 x 2
1/8...
WIDE POINT ADIANTADO
Enfim, notei que há essa tendência de redução
de 1 polegada no tamanho médio das pranchas
usadas pelos top do WCT, e juntamente com isso, notei uma sutil
alteração na posição do Wide Point (centro
da prancha) que foi jogado para frente, justamente em torno de 1 polegada , penso que,
com o objetivo de não alterar a base do surfista, mantendo-o
confortável sobre uma prancha menor em
tamanho. Então se prestar atenção,
atualmente o pé dianteiro dos surfistasestá um pouco
mais para frente do meio da prancha, justamente
na posição onde eu presumo que o wide point esteja
agora sendo colocado.
QUADS
Apesar de se falar muito em novos conceitos atualmente, mais uma
vez as triquilhas foram unanimidade...somente o Joel Parkinson usou
uma prancha diferente do convencional, foi uma QUAD (quatro quilhas)
com concave na base das quilhas laterais internas; isso foi durante
a primeira fase, que não é eliminatória...
quando o jogo esquentou ele logo pegou a sua trifin... Porém
concordo com o shaper americano DOC LAUSCH: “Este é
o melhor momento da história para se fazer pranchas. A mente
e a atitude das pessoas estão totalmente abertas para novos
conceitos” MINIGUN
O mar não estava grande e aqui no Brasil, eles raramente
usam uma prancha maior, sobretudo após Slater abrir o caminho
ao surfar as ondas mais fortes do tour com uma abordagem mais crítica,
dropando atrasado e cavando no crítico para entubar mais
profundo e por mais tempo. Então passou-se a buscar
uma racionalização do quiver , e segundo o shaper
hawaiano Jeff Bushman, caras que usavam 6´8 hoje estão
pedindo 6´3...ou seja, as novas mini-guns, quando muito, são
apenas de de 4 a
6 polegadas maiores do
que as respectivas pranchas shapeadas para o dia-a-dia, salvo os
casos daqueles que desejam surfar ondas realmente grandes...então
cada um deve perguntar a si mesmo se está pronto para dropar
Sunset a partir de 8 pés , condições
que realmente justificam uma gun realmente acima de 7´2”...
BOTTOM
CONTOUR
Na última década não há como negar que
vigorou o fundo SINGLE TO DOUBLE CONCAVE, também conhecido
por TRI CONCAVE, lançado por Al Merrick há cerca de
15 anos nas pranchas de Kelly Slater, quando este foi campeão
mundial pela primeira vez... e ele foi unanimidade por bastante
tempo... hoje, porém, está sendo usado somente nas
pranchas para ondas pequenas. O que houve?
Com base nos critérios de julgamento, os melhores shapers
do mundo buscaram desenvolver novos conceitos e recentemente surgiu
um novo modelo de bottom que atualmente vem sendo mais usado
no WCT: Flat no bico, com suave concave no pé da frente,
partindo para um vee concave (concave invertido em forma de vee,
sem aplicação do double concave) entre a base
com profundidade máxima entre as quilhas, tornando-se flat
na ponta da rabeta. Ele permite maior drive e uma prancha que desgarre
com mais facilidade, sobretudo nas inversões de direção
em áreas críticas da onda, especialmente no “tail
lip slide” que vem sendo bastante valorizado nos últimos
anos segundo os critérios de julgamento. À primeira
vista, não parece ser uma grande diferença, pois tudo
é muito sutil...apenas parece que o concave não é
tão profundo, mas se vc medir na altura da longarina, notará
que ele tem a mesma profundidade de sempre, porém uma superfície
mais plana, que permite um deslizar mais fácil em qualquer
direção EPS
/ EPOXY
Quem ler a Edição Especial de Pranchas da SURFING
MAGAZINE – janeiro 2007, irá constatar que o EPS e
o EPOXY são hoje as grandes estrelas na fabricação
de pranchas a nível mundial. Podemos mencionar a SURFTECH
com a TUFLITE e a TL2, seu mais novo lançamento, a SALOMON
com a sua S-CORE, a AVISO combinando carbono e epoxy, além
de inúmeros fabricantes fazendo pranchas CUSTOM MADE usando
EPS (poliestireno expandido) ou XTR (poliestireno extrudado) laminadas
com resina EPOXY, como a Rusty por exemplo, para não mencionar
a FIREWIRE, com a qual o até então nem tanto conhecido
australiano Bert Burger ganhou o título de shaper do
ano pela SURFING MAGAZINE com a sua prancha com longarina nas bordas,
que nada mais é do que uma prancha CUSTOM MADE com shape
em EPS laminado em epoxy,assim como as demais. A diferença
é a longarina aplicada nas bordas e não no meio longitudinal
da prancha; teoricamente nós teremos uma prancha ainda mais
leve e flexível, características que, quando em excesso
causam efeitos colaterais na performance da prancha, difíceis
de resolver... Após cerca de
8 anos testando minuciosamente esses materiais, concluí que
o peso ideal não é o peso mais leve, que até
prejudica a performance assim como uma prancha pesada também
o faz... e que densidade interna é algo extremamente importante
em uma prancha, garantindo drive, power, estabilidade e segurança,
a exemplo das pranchas de tow in que são feitas com materiais
mais densos para que a prancha atinja um peso maior. Particularmente,
penso que o EPS é pouco denso e muito flexível...
sua estrutura molecular ocasiona uma flexibilidade extrema que precisa
ser controlada pela camada de laminação. A princípio
parece viável, mas existe um break point em que a laminação
atinge o flex ideal, mas o EPS não acompanha vibrando demasiado
internamente quando a pressão e a força da ondulação
são um pouco maiores, já ocasionando alterações
no timing da prancha, como um sentimento de inércia em mudanças
de direção mais drásticas... além disso,
a flutuação extra que proporciona o EPS é uma
faca de dois gumes: se em ondas pequenas é uma vantagem,
em ondas mais fortes coloca o surfista sempre á frente do
ponto crítico ocasionando uma extrema dificuldade de adaptação
aos critérios de julgamento, uma vez que as manobras tendem
a ser realizadas em um ponto sempre à frente da área
crítica da onda, refletindo diretamente nas notas do atleta.
A exceção é o caso de ondas pequenas e fracas,
onde a performance desse tipo de prancha leva alguma vantagem por
flutuar mais, proporcionando maior desenvoltura na onda. Porém
se a prancha estiver leve demais...o surfe fica sem pressão.
Já para quem é apenas um free surfer, não está
bem preparado fisicamente, a idade avança, as bursites e
deslocamentos do ombro começam a aparecer, etc, o EPS é
uma opção interessante, salvo o problema de manutenção
que é preocupante, uma vez que trata-se de uma tecnologia
relativamente nova e poucos são especializados...como o EPS
não é compatível com a resina poliéster
e derrete, o conserto só pode mesmo ser feito em epoxy, então...
Afirmo tudo isso com base em 8 anos
de testes ininterruptos não somente com atletas brasileiros
mas também contando com o feed-back de caras como Andy, Slater,
Joel Parkinson, Occy e todos foram unânimes com
relação a cada afirmativa citada.
Realmente só vi o Taj usando
prancha de epoxy, sua premiada FIREWIRE; mas assistindo-o surfar,
somente reforcei meu pensamento de que esse não é
o caminho...e se o Taj já poderia estar buscando obter mais
drive em sua linha de surfe, agora então nem se fala: durante
o último WCT no Brasil , que assisti ao vivo, Taj chegava
a ficar de um lado para o outro esperando o momento de partir para
o lip novamente...e o surfe limpo, semexcesso de movimentos, é
mais valorizado no atual critério, muito embora o seu talento
acabe muitas vezes por ofuscar essa deficiência do seu surf.
Mas nada como o tempo para colocar as coisas no seu devido lugar...
Minha aposta
é a combinação do tradicional poliuretano com
a nova resina epoxy, que denominei COMBO e já venho
testando há mais de 1 ano... A respeito disso porém,
pretendo falar na próxima edição.
Gostaria de agradecer este espaço editorial,
pois é grande a minha satisfação em poder
ajudar as pessoas a entenderem mais sobre o que eu mais gosto de
fazer na vida: pranchas
Se vc deseja falar diretamente comigo, tirar suas
dúvidas sobre pranchas, adicione hlelot@hotmail.com
no MSN, onde estou diariamente on-line.
Um
abraço e boas ondas, Henry
Lelot
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